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curvas, retas e esquinas

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Orvalho © Copyright

Seja como for! Seja a luz dos teus olhos que clareou meu destino. Os teus cabelos loiros ou negros, são fios que entrelaçam os meus carinhos, e as estrelas caindo, são de manhã os teus beijos de orvalho, com o cheiro, e frescor doce das hortelãs. Seja o que for! Se e´ o tempo do meu destino, então me abrace todo, pois a alma pede... e que não seja fraco, e que seja bem devagar. Clareia mais os meus olhos, nos teus olhos azuis das borboletas que voam acima do meu leito. A minha cama é o nosso divã.... Na sua pele macia, os meus beijos pousam e acariciam, e tudo basta para sentir, sem ser preciso entender. É esse amor, a luz que sinto, e que nem o tempo apaga, ou apagou o destino. Aquele, em que se dão as mãos e caminham felizes.  Lutar, talvez seja preciso, e mudar e florescer, para acontecer se preciso for. As estrelas não caem! Apenas são nossos fogos que estouram no noturno céu, e essas nos cobrem com as mãos macias, como aveludadas pétalas. O céu tão nublado, de nuvens de amor deságua enfim! Os céus tão estrelados de flor consagro a ti! Isso é amor e não se escolhe.... Apenas acolhe e colha, o que você  plantou em mim. 
 by betonicou        Arte: Sergio Lopez
               

domingo, 15 de abril de 2018

Ciranda, flor e mel © Copyright


Ontem eu vi, e fiz o que sempre quis: Um pássaro beijando a flor, um beijo declarando amor, e olhos deitados contemplando o céu. Vi fugaz a nave voando no ar azul, e contemplei o que os lábios sentiram muito bem; um beijo que durava mais, o rodopiar do voar de uma flor, e o gosto que durava muito além!

Tudo eu quis, do que sempre vi: Um jardim para plantar amor, o beijo delicado do beija-flor, na flor que guardava mel.  Vi chegando as saias que rodopiavam muito mais, e vi estrelas nesse mar de céu, e senti também: O gosto do que quero até demais, no embalar no barco do amor, da flor que chamo de meu bem. 

Sempre quis:  Nessa doce ciranda  poder   brincar, mesmo nos dias que a chuva pingava fel. Sempre quis a flor de todos os roseirais, e como orvalho quis  refrescar mais e mais, e depois voar nos lábios que guardavam mel.   sempre quis ir  um pouco mais além, às vezes  seduzir sem pudor perguntando; o que é que tem?


by betonicou
Arte:Svetlana Modorova

terça-feira, 10 de abril de 2018

Elementos © Copyright

Céu, céu de brilhos intensos sobre a cama de meu saudoso relento.  Escuro véu de brilhantes, anjos a pulsar no firmamento. Céu que na paz do instante me acarinhou no divino sossego. É esse mar de ar dos seres celestes, que quando mais olho, mais avido e´ o meu navegar, e onde todo, ainda mais  me achego.

São essas águas do riacho, onde escoa a minha prece, e é também meu céu de amar, pois nele me batizo, e ali minha alma acontece. São as águas desse espelho que refletem o verdadeiro eu que conheço. Estrelas, sol e lua aos meus olhos expostos, no meu viver mais intenso.   É ali que   de novo, todo eu amanheço. 

Terra que aos meus pés acarinha, no meu ondular de andar. Sobre as montanhas trafego e vivo a tocar o sol e o luar.  São as verdes relvas, o manto da majestade terrena. São meus ossos e carne, feitos dessa matéria, no universo construída. Sou o pó das estrelas, de alma guardada nessa dimensão toda escondida.

Há esse calor na alma. Tenho esse sol que todo o meu ser declama. Sou água, terra, fogo e ar, e do fogo a vida inflama. Sou fonte que verte águas de singulares rios, e sou a terra para a semente que preenche o espaço obtido. Sou o sopro  alimentado pelo espirito desta chama. De elementos, castelo todo construído.




by betonicou

Arte:Ivan Kupala &;Larisa Lukash



segunda-feira, 19 de março de 2018

Ruas © Copyright





Saia às tardes, e era apenas mais um vulto. Saia entre os alegres, ou entre as pranteadeiras de um sossegado morto.  E era o sol poente, a luz daqueles versos que nos preparam para a noite e sua chegada.  A lua que aponta, com suas estrelas de festas de rojões no céu celebrando a boemia da frequentada madrugada. Saia no bloco dos ausentes, e a chuva que chegou junto fazia dançar um pouco mais, os sempre mais contentes. Saia sobre as marquises, e ao lado das propagandas convincentes andava sobre as calçadas, entre o sufoco de todas as gentes. Lá estava a dama de um convento, e era a estrela tão procurada para o meu sufoco.  Saia na vida, feito   alma desgastada, e fugia do que ressentia; fugia de tudo um pouco. Passeie sob nuvens, e um sol todo descontente que evaporava, de luto pelo findar do dia. Eu vi a esperança no cometa, que de tão servil levou Clarisse e Maria. Levou e arrastou nas celestes enxurradas, todos os gritos que o silencio ouviu e assistiu. Pensei num passeio, não tão comumente, e não apenas sair tão dissidente, à espera de topar com quem não me viu.  Dançar na chuva com o chapéu molhado e torto, e me encharcar de tudo um pouco, de tudo que a tarde, do escuro se vestiu.  Sentei, e no mata borrão desenhei as vias tão torturadas. Escrevi sob as estrelas as letras tão procuradas, e desenhei lembranças. Moram nas ruas, todas as coisas mil! O medicante enclausurado em seu estado civil, com um cão que é seu conforto. O sabe tudo, que de tudo é um pouco, até um simpático louco! Saia as tardes querendo noite, longe das as saias da mãe gentil. Saia, de olhar tão torto, que nem vi quem se foi, ou quem de mim se despediu.


by beto nicou
Arte: le Giorgini


quarta-feira, 7 de março de 2018

Inocente juventude © Copyright

Roupas vermelhas, brancas, quentes ou frias, são minhas fantasias. Pele clara ou pele escura, são às vezes, coleiras para as almas coloridas. Ao adentrar de novo nessa estrada com minhas roupas desbotadas e sujas desse vermelho das ruas cruas, por onde teimei andar. Cada estrada é um destino de fantasias. Em cada fantasia um desatino. Estes, são os fantásticos contos de menino! Até voar voei com asas de aquarelas, por entre as coloridas cenas dos varais, com roupas, avistadas de minhas janelas. Eu mereço as fantasias das minhas visões, todas figuradas!  Eu destaco os voos nas costas da minha amiga ave magica; visões imaginadas. Num tempo magico de juventude inocência, ainda se vê em clarividência. Nos meus sonhos, as ficções são realçadas, e minha pele clara com pele escura, são minhas misturas de vidas sortidas.  Nesta vida, de vida ou morte sou uma janela de vidas, muitas vezes refletidas! Até vi minha alma embarcada nas águas imaginarias, e a esperança, era a vela que segurava os ventos e conduzia às praias desejadas. Eu nasci das águas claras, feito peixe de rios. Transbordei da paciência, que de tanto amor chorei, mas depois me descansei  nas mãos macias dos lírios. Eu sonhei tudo imaginado, com a Inocência resgatada,  e tudo o que a alma pôde segurar....  Tudo que pude respirar e aspirar.




by betonicou 

 arte:вода рисунки e moebius fumetti


















domingo, 11 de fevereiro de 2018

Suspiro © Copyright


É a vida, e´ a vida, essa sentida saudade que é espinho em minhas feridas escondidas. Amores, amores, meus cravos de dores. Sonhar, sonhar, meu escape para esses momentos sem cores. É riso, ou o suor de meus sonhos de toda lembrança feliz, mas nada leve. Foi alegria tão ditosa, que vivo a divagar a ternura que este mundo levou, e que agora me deve. É romaria, nessa travessia que a alma tanto esse fogo carrega. São os sonhares de todas as cenas gravadas, e que aos meus sentidos a saudade generosa, rude ou não, me entrega. É a vida, e´ a vida, é suor, e´ a mais crua sinalização de alerta. É a falta do que era belo, e´ desespero. É o sentimento que guardo com todas as rimas, e também, com todo destempero.  É a ida que nos leva junto, e nos rouba uma fragilizada alegria. É o vazio, sempre em sinal de alerta. Se bendito, não importa a ida, pois mesmo sofrido meu coração se liberta. Adeus, Adeus! A alma sempre grita aos acenos tristes, debruçada nas toscas paisagens das janelas. São as pétalas que se separam deixando nua a flor entregue, às invernadas faltas de primaveras. São essas lembranças os jardins, onde brinco nos sonhos, todas as presenças das vividas felicidades. Adeus?!  Adeus não existe, quando ainda nos fica a saudade. É a doida partida da vida, que o seu próprio caminho, aqui nesse mundo não se mede. É a felicidade, que para viver, do outro lado do aceno se despede.  



  by betonicou Arte: Galina Poloz




sábado, 27 de janeiro de 2018

Razões © Copyright




Trago no peito: uma flor de lapela, uma gravata sem nó, um enfeite, um cristal e uma pérola. Trago um cravo, uma rosa escondida, um perfume, e um espinho vivo na ferida. No coração:  a batida, um olhar pela janela, uma breve oração, uma fé de capela.


Trago no peito as marcas de amor, mas trago a felicidade contida, sem causa de dor. Trago junto ao corpo uma sombra que me segue. Trago uma sombra, e uma sina que me persegue... uma luz, uma vontade singela, uma chama, e um ardor de pingo de cera de vela...


Trago os contrastes que nos regem a vida inteira. O suor da vida corrida, o sossego de vida solteira. O calor do verão que pede o frio de inverno, e o frio que pede aconchego materno. O suor, e o calafrio dos tempos modernos. Trago o choro, mas esboço sorrisos sempre singelos.

  by betonicou

Arte:Guy Denning